Tributação Empresarial

Split payment na Reforma Tributária: como o recolhimento automático afeta o caixa da empresa

Neste artigo
  1. Como funciona o split payment?
  2. Quando o split payment passa a valer?
  3. Qual é o impacto no caixa?
  4. Quem sente mais o efeito?
  5. O que a empresa deve fazer agora?
  6. Perguntas frequentes
  7. Como o Chambarelli Advogados pode ajudar

O split payment é o mecanismo da Reforma Tributária em que, no momento do pagamento eletrônico de uma venda, a parcela de CBS e IBS é separada automaticamente e enviada ao Fisco, e o fornecedor recebe apenas o valor líquido. Para o caixa, a consequência é direta: o dinheiro do tributo deixa de ficar com a empresa entre a venda e a data de recolhimento. Segundo a Receita Federal, a implantação será gradual, com uso voluntário a partir de 2027 e obrigatoriedade prevista para 2028.

Resumo

  • O split payment está previsto nos arts. 31 a 35 da Lei Complementar 214/2025.
  • A separação do tributo é feita pelos prestadores de serviços de pagamento, como bancos e credenciadoras.
  • O fornecedor perde o capital de giro que hoje vem do prazo entre receber e recolher.
  • Os créditos do comprador, em regra, dependem do pagamento efetivo do tributo pelo fornecedor.
  • Prazos de recebimento, preços e sistemas precisam ser revistos.

Como funciona o split payment?

Hoje, a empresa vende, recebe o valor cheio e recolhe os tributos em data posterior. Com o split payment, o fluxo muda:

  1. o fornecedor emite o documento fiscal com CBS e IBS destacados;
  2. o cliente paga por meio eletrônico, como Pix, boleto ou cartão;
  3. o prestador do serviço de pagamento consulta os sistemas da Receita e do Comitê Gestor do IBS;
  4. a parcela do tributo é segregada e enviada diretamente ao Fisco;
  5. o fornecedor recebe o valor líquido.

No procedimento padrão, o valor retido considera o débito da operação e os créditos já disponíveis do fornecedor. Há também um procedimento simplificado, com percentuais fixados pelas administrações tributárias, que a Lei Complementar 227/2026 passou a permitir para qualquer contribuinte que opte por ele.

Quando o split payment passa a valer?

A lei previu implantação gradual. Em entrevista divulgada em setembro de 2026, a Receita Federal informou que a infraestrutura deve estar pronta no início de 2027, com adesão progressiva por meio de pagamento, e que a obrigatoriedade geral deve começar em 2028. Até lá, continua valendo o recolhimento por guia. O cronograma depende de regulamentação conjunta da Receita e do Comitê Gestor e pode ser ajustado.

Qual é o impacto no caixa?

O principal efeito é a perda do “empréstimo” implícito que existe hoje entre o recebimento da venda e o vencimento do tributo. Empresas que recebem à vista e recolhem semanas depois usam esse valor como capital de giro. Com a retenção automática, esse recurso desaparece.

Há ainda um efeito sobre os créditos: a Lei Complementar 214/2025 condiciona, em regra, o aproveitamento do crédito pelo adquirente à quitação do tributo pelo fornecedor. Comprar de fornecedores que não pagam o tributo pode significar crédito travado.

Quem sente mais o efeito?

  • Varejo e serviços com recebimento à vista, que hoje se financiam com o prazo de recolhimento.
  • Empresas com margens apertadas, em que o valor do tributo é relevante frente ao lucro.
  • Negócios com créditos acumulados, que dependem do procedimento padrão para que a retenção considere esses créditos.
  • Empresas que vendem a prazo, que precisam ajustar as condições de pagamento com clientes.

O que a empresa deve fazer agora?

  1. Simular o fluxo de caixa com a retenção na fonte de CBS e IBS.
  2. Rever prazos com clientes e fornecedores e a necessidade de capital de giro.
  3. Revisar contratos de longo prazo, incluindo cláusulas sobre tributos e forma de pagamento.
  4. Avaliar fornecedores quanto à regularidade fiscal, para não perder créditos.
  5. Preparar sistemas de faturamento, conciliação bancária e ERP para o valor líquido recebido.

Perguntas frequentes

O split payment aumenta o tributo?

Não. Ele muda o momento e a forma do recolhimento, não a alíquota. O efeito é financeiro, sobre o caixa.

Pagamentos em dinheiro entram no split payment?

O mecanismo se aplica a pagamentos eletrônicos. Nas demais formas, o tributo continua sendo recolhido pelas vias previstas na lei.

Empresas do Simples Nacional são afetadas?

Sim, conforme a regulamentação e a opção da empresa pelo regime de recolhimento de CBS e IBS. Vale simular os dois cenários.

Como o Chambarelli Advogados pode ajudar

A área de Tributação Empresarial simula o efeito do split payment no caixa, revisa contratos e acompanha a regulamentação com a equipe financeira. Agende uma conversa para preparar a sua empresa.

Conteúdo informativo, atualizado em outubro de 2026. Não substitui a análise do caso concreto.

Guilherme Chambarelli

Sobre o autor

Guilherme Chambarelli

Sócio-Fundador

Guilherme Chambarelli é advogado com atuação estratégica no Direito de Negócios, dedicando-se especialmente aos desafios jurídicos do Mercado Financeiro e de Capitais, da Economia Digital e da Governança de Empresas Familiares. Especialista em Direito Societário e Tributário, seu trabalho é pautado pela…

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