Negociação e Mediação Empresarial
Arbitragem empresarial: custos, prazos e quando compensa

Neste artigo
A arbitragem empresarial compensa quando a disputa tem valor relevante, complexidade técnica ou necessidade de sigilo, e quando as partes valorizam uma decisão final, sem recursos, tomada por especialistas. O custo inicial é maior que o de um processo judicial, porque inclui taxas da câmara e honorários dos árbitros, mas o tempo até a solução tende a ser muito menor. Em disputas pequenas, os custos podem não se justificar.
Resumo
- A arbitragem é regulada pela Lei 9.307/1996, alterada pela Lei 13.129/2015.
- Os custos principais são taxa de registro, taxa de administração, honorários dos árbitros e de peritos.
- Sem prazo convencionado, a lei fixa seis meses para a sentença.
- A sentença arbitral não tem recurso de mérito e só pode ser anulada em hipóteses restritas.
- Medidas urgentes podem ser pedidas ao Judiciário antes de o tribunal arbitral ser constituído.
Quanto custa uma arbitragem?
Os custos variam conforme a câmara escolhida, o valor em disputa e o número de árbitros. As tabelas são públicas e costumam incluir:
- taxa de registro, paga ao iniciar o procedimento;
- taxa de administração, calculada em geral sobre o valor da causa;
- honorários dos árbitros, por faixa de valor ou por hora;
- honorários periciais, quando há prova técnica;
- honorários dos advogados de cada parte.
Em regra, as partes adiantam os custos em partes iguais, e a sentença define quem os suporta ao final. Árbitro único reduz o custo em comparação com um tribunal de três árbitros; procedimentos expeditos, oferecidos por várias câmaras para disputas menores, também.
Quanto tempo leva?
As partes podem fixar o prazo para a sentença. Se nada for convencionado, a Lei de Arbitragem determina que a sentença seja proferida em seis meses a contar da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro (art. 23). Na prática, câmaras e partes costumam ajustar calendários próprios, especialmente quando há perícia. Ainda assim, a ausência de recursos faz com que a solução final chegue, em regra, bem antes do que no Judiciário.
Qual é a força da sentença arbitral?
A sentença arbitral produz os mesmos efeitos de uma sentença judicial e é título executivo. Não há recurso quanto ao mérito. A parte vencida só pode pedir a anulação em hipóteses previstas no art. 32 da lei, como nulidade da convenção ou violação do contraditório, por ação proposta em até 90 dias. Se a parte não cumprir voluntariamente, a execução é feita no Judiciário.
Quando a arbitragem compensa?
| Compensa | Pode não compensar |
|---|---|
| Disputas de valor alto ou estratégico | Cobranças de valor baixo |
| Temas técnicos: construção, energia, tecnologia, M&A | Execução de título simples, como um cheque ou uma nota promissória |
| Necessidade de sigilo | Interesse em formar precedente público |
| Partes de países diferentes | Parte sem condições de adiantar custos |
| Conflitos societários e acordos de sócios | Relações com consumidores, em que a cláusula tem limites legais |
Medidas urgentes
Antes de instituída a arbitragem, a parte pode pedir medida cautelar ou de urgência ao Judiciário. Concedida a medida, deve requerer a arbitragem em até 30 dias, sob pena de perder a eficácia (art. 22-A). Depois de constituído, o tribunal arbitral pode manter, modificar ou revogar a medida. Muitas câmaras também oferecem a figura do árbitro de emergência.
Perguntas frequentes
A arbitragem é sigilosa por lei?
A lei não impõe sigilo geral, mas a maioria dos regulamentos das câmaras e dos contratos o prevê. Convém incluir a confidencialidade expressamente na cláusula.
Posso escolher qualquer pessoa como árbitro?
Qualquer pessoa capaz e de confiança das partes, sem impedimento ou suspeição. Na prática, escolhem-se profissionais com experiência no tema da disputa.
Empresas menores podem usar arbitragem?
Sim. Procedimentos expeditos e árbitro único tornam a arbitragem viável para disputas de valor médio.
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Conteúdo informativo, atualizado em outubro de 2026. Não substitui a análise do caso concreto.
