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Acordo de Sócios: por que todo negócio de sucesso começa com boas alianças jurídicas

03/07/2025

Guilherme Chambarelli

Nenhuma boa sociedade se sustenta apenas na afinidade. E tampouco prospera apenas com boas ideias. O caminho de um negócio de sucesso — seja uma startup em fase de tração ou uma empresa consolidada em expansão — depende de alianças jurídicas bem desenhadas.

Entre essas alianças, o Acordo de Sócios ocupa lugar de destaque. Ele não é um luxo reservado a grandes empresas, tampouco uma formalidade descartável. É, na verdade, o documento que oferece previsibilidade onde a emoção costuma reinar: nas relações entre os fundadores.

Muito além do contrato social

O contrato social determina as bases jurídicas da sociedade — razão social, capital, objeto, quotas. Mas é no Acordo de Sócios que moram as regras do jogo. Ali se define o que acontece se um sócio quiser sair, se alguém quiser vender sua participação, se o negócio receber investimento, se os fundadores divergirem sobre decisões estratégicas.

Trata-se de um pacto que regula as expectativas e os medos não ditos. Ele estrutura a governança, delimita poderes, protege visões divergentes e dá segurança a quem coloca capital — financeiro ou intelectual — no empreendimento.

Quando tudo vai bem, ele dorme na gaveta. Quando o caos chega, ele salva a empresa.

Um bom Acordo de Sócios é, muitas vezes, ignorado nos tempos de bonança. Mas sua ausência grita nos momentos de conflito. E nesses momentos, vale lembrar: nem tudo que é justo é previsto em lei, e nem tudo que está na lei é suficiente para resolver uma crise societária.

Cláusulas de vesting, não concorrência, drag along, tag along, direito de preferência, deadlock, mecanismos de saída e valuation — todos esses elementos ganham importância crítica quando a realidade do negócio se impõe à amizade entre os fundadores.

Startups e o risco da informalidade

Em ambientes de inovação, como o das startups, a ausência de um Acordo de Sócios pode significar o colapso do negócio ao menor sinal de atrito. Não são raras as histórias de empresas que cresceram rápido, captaram recursos e viram tudo ruir porque seus sócios nunca conversaram seriamente sobre o que fariam se suas visões de futuro colidissem.

Investidores profissionais, cientes disso, exigem esse tipo de pacto antes mesmo de aportar capital. Afinal, ninguém investe em um navio cuja tripulação não sabe quem segura o leme quando a tempestade vem.

Alinhamento é liberdade, não prisão

Mais do que impor limites, o Acordo de Sócios oferece liberdade com segurança. Ele permite que os fundadores tomem decisões sabendo até onde podem ir, que os investidores entrem sabendo o que esperar e que o negócio evolua sem que crises internas desestabilizem sua base.

É, portanto, um instrumento de maturidade empresarial. E como tal, deve ser construído com cuidado, escuta ativa, técnica jurídica e uma visão estratégica do futuro.


Toda sociedade, em algum momento, será testada. E quando esse dia chegar, o que sustenta o negócio não é apenas a confiança entre os sócios — mas a estrutura que eles mesmos desenharam para garantir que o compromisso mútuo sobreviva aos dissensos.

Se você ainda não tem um Acordo de Sócios, talvez esta seja a hora de escrever um pacto que fortaleça não apenas o negócio, mas as relações que o tornam possível.

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