Fusões e aquisições parecem, à primeira vista, uma decisão de negócio: números, sinergias, projeções. Mas é a due diligence — a investigação jurídica, contábil e operacional da empresa envolvida na transação — que determina se esse negócio vai se pagar ou se vai se tornar um passivo escondido. Boa parte dos problemas pós-M&A não nasce da estratégia errada, nasce do que não foi verificado antes de assinar.
Abaixo estão os pontos que não podem ficar de fora de uma due diligence bem-feita, seja você comprador ou vendedor.
O primeiro passo é confirmar que a empresa é, juridicamente, o que diz ser. Isso inclui:
Não é incomum encontrar sociedades com contratos desatualizados há anos, sócios de fato não registrados, ou cláusulas que dão a terceiros direito de preferência na compra — o que pode inviabilizar a transação do jeito que ela foi desenhada.
Esse é, na prática, um dos maiores riscos ocultos em operações de M&A no Brasil. É preciso mapear:
Um passivo trabalhista mal dimensionado pode aparecer anos depois do fechamento — e, dependendo de como o negócio foi estruturado, o comprador pode herdá-lo integralmente.
Aqui, a due diligence deve ir além de “a empresa está com as certidões em dia”. É necessário avaliar:
Esse último ponto costuma ser subestimado. A forma como a transação é desenhada juridicamente (compra de ativos vs. compra de quotas/ações, por exemplo) muda diretamente o grau de exposição do comprador.
Todo contrato que sustenta a operação da empresa-alvo precisa ser lido com atenção, não apenas listado:
Uma cláusula de change of control mal identificada pode significar perder o principal cliente da empresa no dia seguinte ao fechamento do negócio.
Em muitos negócios — especialmente os de base tecnológica — o ativo mais valioso não é físico:
Startups e empresas de tecnologia frequentemente descobrem, só na due diligence, que o código-fonte ou a marca nunca foram formalmente cedidos à pessoa jurídica.
Dependendo do setor, isso pode incluir desde licenças ambientais até autorizações específicas (saúde, financeiro, iGaming, etc.). Vale checar:
Por fim, a due diligence não termina na investigação — ela define como o negócio deve ser estruturado juridicamente para proteger quem compra e quem vende. Isso envolve decidir:
Due diligence não é uma etapa burocrática para “carimbar” a operação — é o que transforma um negócio de intenção em um negócio seguro. Cada passivo não identificado antes do fechamento se torna, depois, problema exclusivo de quem comprou (ou motivo de disputa com quem vendeu).
Uma due diligence bem conduzida não serve só para encontrar problemas: serve para negociar melhor, precificar corretamente o risco e desenhar a estrutura contratual que protege ambos os lados da mesa.