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Due diligence: o raio-x jurídico que antecede qualquer investimento

13/01/2026

Guilherme Chambarelli

Antes de qualquer investimento, existe uma etapa silenciosa, técnica e absolutamente decisiva: a due diligence.
É nesse momento que o entusiasmo do aporte dá lugar à análise criteriosa de riscos, passivos e inconsistências que podem comprometer o retorno do investimento.

A due diligence funciona como um verdadeiro raio-x jurídico da empresa, revelando o que não aparece nos pitch decks, apresentações comerciais ou demonstrações financeiras resumidas.

Neste artigo, o Chambarelli Advogados explica o que é a due diligence, como ela funciona e por que antecede qualquer investimento bem estruturado.


O que é due diligence?

A due diligence é um procedimento de auditoria jurídica, societária, contratual, trabalhista, tributária e regulatória, realizado antes de operações como:

  • captação de investimentos;

  • entrada de novos sócios;

  • fusões e aquisições (M&A);

  • reorganizações societárias;

  • operações de venture capital e private equity.

Seu objetivo é mapear riscos, contingências e inconsistências jurídicas, permitindo que investidores e empresas tomem decisões informadas e estratégicas.


Por que a due diligence é indispensável antes de investir?

Investir sem due diligence é assumir riscos invisíveis.

A análise prévia permite:

  • identificar passivos ocultos;

  • mensurar riscos jurídicos reais;

  • ajustar valuation;

  • renegociar cláusulas contratuais;

  • estruturar mecanismos de proteção.

Muitos prejuízos em investimentos não decorrem do negócio em si, mas de passivos jurídicos não identificados a tempo.


O que é analisado em uma due diligence jurídica?

A due diligence jurídica não se limita ao contrato social. Ela envolve uma análise ampla e integrada, que pode incluir:

1. Estrutura societária

  • contrato ou estatuto social;

  • histórico de alterações societárias;

  • integralização de capital;

  • acordos de sócios;

  • opções, vesting e direitos de terceiros.

Inconsistências societárias são red flags relevantes para investidores.


2. Contratos estratégicos

  • contratos com clientes e fornecedores;

  • contratos de tecnologia e propriedade intelectual;

  • contratos de prestação de serviços;

  • cláusulas de exclusividade, rescisão e penalidades.

Contratos mal redigidos ou informais podem comprometer receitas futuras.


3. Passivos trabalhistas

  • existência de vínculos informais;

  • risco de reconhecimento de relação de emprego;

  • ações trabalhistas em curso;

  • políticas internas e compliance.

Esse é um dos pontos de maior sensibilidade em startups e empresas em crescimento.


4. Aspectos tributários

  • regularidade fiscal;

  • contingências tributárias;

  • enquadramento correto do regime tributário;

  • riscos de autuações e requalificações.

Passivos tributários impactam diretamente o valuation da empresa.


5. Propriedade intelectual e ativos intangíveis

  • titularidade de softwares, marcas e patentes;

  • cessões e licenças de direitos;

  • riscos de uso indevido ou disputas futuras.

Em empresas de tecnologia, ativo sem titularidade clara não é ativo.


6. Processos judiciais e regulatórios

  • ações judiciais em andamento;

  • autos de infração;

  • investigações administrativas;

  • conformidade regulatória setorial.

Esses fatores podem inviabilizar ou encarecer a operação.


Due diligence não serve apenas para investidores

Embora muitas vezes associada ao investidor, a due diligence também beneficia a própria empresa investida.

Empresas que realizam uma vendor due diligence conseguem:

  • antecipar riscos;

  • organizar documentação;

  • aumentar credibilidade;

  • melhorar condições de negociação;

  • acelerar o fechamento da operação.

A empresa preparada juridicamente vale mais.


O papel do advogado na due diligence

O advogado empresarial atua como tradutor jurídico do risco, transformando documentos e informações técnicas em:

  • relatórios claros;

  • classificação de riscos (baixo, médio, alto);

  • recomendações estratégicas;

  • ajustes contratuais e societários.

Não se trata apenas de apontar problemas, mas de indicar caminhos juridicamente viáveis para solucioná-los.


Conclusão: quem não faz due diligence assume riscos desnecessários

A due diligence não é burocracia. É instrumento de proteção patrimonial e estratégica.

Ela antecede qualquer investimento sério porque:

  • reduz incertezas;

  • evita surpresas pós-fechamento;

  • protege investidores e fundadores;

  • contribui para operações mais equilibradas e sustentáveis.

O Chambarelli Advogados atua na condução de due diligences jurídicas completas, com foco em:

  • investimentos;

  • startups;

  • M&A;

  • reorganizações societárias.

Em operações de investimento, o risco não está no que se vê, mas no que não foi analisado.

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