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Governança familiar e acordo de sócios

13/01/2026

Guilherme Chambarelli

Empresas familiares concentram dois elementos sensíveis: patrimônio e relações pessoais. Quando esses dois mundos se confundem sem regras claras, o risco não é apenas o conflito — é a perda de controle, de valor e de continuidade do negócio.

A governança familiar, aliada a um acordo de sócios bem estruturado, é o instrumento jurídico que permite separar família e empresa sem romper vínculos, estabelecendo regras objetivas para decisões, gestão e sucessão.


Governança familiar: organizar relações para proteger o negócio

Governança familiar não é burocracia nem formalismo excessivo. Trata-se de criar um sistema de regras e princípios que define como a família se relaciona com a empresa, especialmente em temas como poder, sucessão, gestão e distribuição de resultados.

Sem governança, decisões empresariais tendem a ser contaminadas por conflitos pessoais, expectativas subjetivas e disputas emocionais. Com governança, a empresa passa a operar com lógica empresarial, ainda que permaneça sob controle familiar.

Uma governança bem desenhada permite:

  • separar herança de gestão;

  • definir quem pode ou não atuar na administração;

  • reduzir disputas entre gerações;

  • preservar a estratégia do negócio ao longo do tempo.


O acordo de sócios como instrumento central da governança

O acordo de sócios é o principal instrumento jurídico para materializar a governança familiar no âmbito societário. Diferente do contrato social, ele permite disciplinar com profundidade relações internas de poder, muitas vezes invisíveis aos terceiros.

Por meio do acordo de sócios, é possível estabelecer regras claras sobre:

  • exercício do direito de voto;

  • quóruns qualificados para decisões estratégicas;

  • entrada e saída de sócios;

  • sucessão de participações;

  • resolução de impasses (deadlock);

  • proteção do controle societário.

Em empresas familiares, a ausência de acordo de sócios costuma resultar em judicialização justamente nos momentos mais críticos: sucessão, divergência estratégica ou necessidade de liquidez.


Governança não elimina conflitos, mas evita que eles destruam a empresa

Conflitos familiares são naturais. O que não pode ser natural é a paralisação da empresa por falta de regras jurídicas.

A governança familiar, combinada com um acordo de sócios consistente, não impede divergências, mas cria caminhos objetivos para solucioná-las sem comprometer a operação, a gestão ou o patrimônio construído.

Empresas familiares que investem em governança:

  • tomam decisões com mais previsibilidade;

  • preservam o controle ao longo das gerações;

  • tornam-se mais atrativas para investidores;

  • reduzem drasticamente o risco de litígios.


O papel do advogado empresarial na governança familiar

A estruturação da governança familiar e do acordo de sócios exige atuação técnica, estratégica e sensível à dinâmica da família. Não se trata de aplicar modelos prontos, mas de desenhar uma arquitetura jurídica compatível com a realidade do negócio.

O Chambarelli Advogados atua na estruturação de governança familiar e acordos de sócios com foco em:

  • preservação do controle;

  • prevenção de conflitos;

  • continuidade empresarial;

  • segurança jurídica de longo prazo.


Conclusão

Governança familiar não é tema para quando o conflito surge. É decisão estratégica que deve ser tomada no momento de estabilidade, quando ainda é possível planejar com racionalidade.

O acordo de sócios, como instrumento central dessa governança, transforma relações pessoais em regras empresariais claras, protegendo tanto a família quanto a empresa.

Em negócios familiares, quem não governa juridicamente, arrisca perder o que construiu.

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