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Erros jurídicos comuns na abertura de empresas

13/01/2026

Guilherme Chambarelli

A abertura de uma empresa costuma ser marcada por entusiasmo, urgência e foco total no início da operação. Nesse contexto, o jurídico muitas vezes é tratado como etapa burocrática, resolvida com modelos prontos ou decisões apressadas.

Esse é o ponto em que surgem os erros jurídicos mais comuns na abertura de empresas, que raramente aparecem no curto prazo, mas geram conflitos, litígios e perda de valor à medida que o negócio cresce.

Evitar esses erros desde o início é uma das formas mais eficazes de garantir segurança jurídica, previsibilidade e liberdade para crescer.


Tratar o contrato social como mera formalidade

Um dos erros mais recorrentes é enxergar o contrato social apenas como um documento necessário para obtenção do CNPJ.
Na prática, ele define quem decide, quem controla e como a empresa funciona juridicamente.

Contratos sociais genéricos ou mal ajustados costumam gerar:

  • conflitos entre sócios;

  • dúvidas sobre poderes de administração;

  • dificuldade para entrada de investidores;

  • insegurança em momentos de crise ou saída de sócios.

O contrato social precisa refletir a realidade do negócio, não apenas cumprir exigência formal.


Não regular a relação entre os sócios desde o início

Outro erro comum é confiar exclusivamente na boa relação entre os sócios e deixar temas sensíveis “para depois”.

Questões como:

  • divisão de poderes;

  • regras de saída;

  • sucessão de quotas;

  • diluição futura;

  • resolução de impasses,

quando não tratadas desde o início, costumam surgir no pior momento possível: quando há divergência estratégica ou crescimento acelerado.

A ausência de regras claras transforma conflitos naturais em disputas jurídicas.


Escolher o tipo societário inadequado

A escolha equivocada do tipo societário é um erro silencioso, mas com alto custo futuro.

Optar por uma estrutura apenas por simplicidade inicial pode:

  • dificultar reorganizações;

  • limitar captação de investimentos;

  • gerar ineficiências tributárias;

  • exigir alterações estruturais sob pressão.

A estrutura societária deve ser pensada com visão de futuro, considerando crescimento, investimento e governança.


Ignorar riscos trabalhistas na estrutura inicial

Muitas empresas nascem com relações informais, contratações mal definidas ou uso indevido de prestadores de serviço.

Esse modelo, quando não estruturado juridicamente, pode resultar em:

  • reconhecimento de vínculo empregatício;

  • passivos trabalhistas relevantes;

  • autuações e condenações futuras.

A prevenção jurídica trabalhista começa na forma como a empresa nasce, não quando o problema já está instalado.


Utilizar contratos genéricos ou modelos prontos

Contratos prontos não consideram:

  • a realidade do negócio;

  • o setor de atuação;

  • os riscos específicos da operação;

  • a estratégia de crescimento da empresa.

Empresas que utilizam contratos genéricos ficam expostas a litígios evitáveis e insegurança jurídica em relações comerciais essenciais.

Contrato é instrumento estratégico, não formulário padrão.


Não proteger ativos intangíveis desde o início

Em muitos negócios, especialmente startups e empresas de serviços, os principais ativos são:

  • marca;

  • tecnologia;

  • know-how;

  • base de clientes.

A falta de proteção jurídica desses ativos pode gerar:

  • disputas de titularidade;

  • perda de valor em investimentos;

  • inviabilização de operações futuras.

Ativo sem proteção jurídica clara é ativo vulnerável.


O papel do advogado empresarial na prevenção desses erros

A maioria desses erros não decorre de má-fé, mas de falta de orientação jurídica estratégica no momento da abertura da empresa.

O advogado empresarial atua para:

  • estruturar a empresa de forma adequada;

  • antecipar riscos invisíveis;

  • alinhar o jurídico à estratégia do negócio;

  • evitar correções custosas no futuro.

O Chambarelli Advogados atua na abertura e estruturação de empresas com foco em prevenção de riscos, organização societária e crescimento sustentável.


Conclusão

Os erros jurídicos na abertura de empresas raramente impedem o início da operação, mas comprometem o crescimento, a governança e o valor do negócio ao longo do tempo.

Estruturar corretamente desde o início não é excesso de cautela. É decisão estratégica.

Empresas que nascem bem estruturadas juridicamente crescem com menos conflitos, menos litígios e mais liberdade para evoluir.

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