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Como organizar uma startup antes da primeira rodada

14/01/2026

Guilherme Chambarelli

A primeira rodada de investimento é um divisor de águas para qualquer startup. É o momento em que a ideia deixa de ser apenas um projeto promissor e passa a ser analisada com critérios de risco, governança e viabilidade jurídica.

O que muitos founders ignoram é que investidores não investem apenas no produto ou no time, mas na estrutura do negócio. Startups desorganizadas juridicamente não costumam ser rejeitadas de forma explícita — elas simplesmente deixam de avançar na conversa.

Organizar a startup antes da primeira rodada é o que separa negociações bem-sucedidas de oportunidades perdidas.


Organização societária vem antes do pitch

Antes de qualquer conversa formal com investidores, a startup precisa ter uma estrutura societária clara e coerente. Isso significa saber exatamente quem são os sócios, qual é a participação de cada um, quem decide e como as decisões são tomadas.

Estruturas improvisadas, combinados verbais ou contratos sociais genéricos levantam alertas imediatos em qualquer due diligence. O investidor precisa enxergar previsibilidade, governança mínima e capacidade de crescimento sem conflitos internos.


Acordo entre founders não é opcional

Startups que chegam à primeira rodada sem acordo de sócios ou regras claras de vesting carregam um risco que o investidor não quer assumir.

A ausência dessas regras costuma gerar dúvidas como:

  • o que acontece se um founder sair?

  • como ocorre a diluição futura?

  • quem controla decisões estratégicas?

  • como conflitos serão resolvidos?

Quando essas respostas não estão documentadas, o investimento tende a ser adiado ou abandonado.


Contratos e propriedade intelectual precisam estar organizados

Outro ponto crítico é a organização contratual. Investidores querem ter certeza de que:

  • a startup é titular da tecnologia que explora;

  • desenvolvedores e prestadores não têm direitos ocultos;

  • contratos com parceiros e fornecedores estão formalizados.

Sem proteção adequada da propriedade intelectual, a startup pode até ter produto, mas não tem ativo juridicamente investível.


Estrutura jurídica compatível com investimento

Organizar uma startup antes da primeira rodada também significa escolher uma estrutura jurídica compatível com diluição, entrada de investidores e futuras rodadas.

Isso envolve:

  • tipo societário adequado;

  • contrato social preparado para investimento;

  • governança mínima;

  • clareza sobre instrumentos como mútuo conversível ou SAFE.

Startups que deixam essa organização para depois costumam pagar o preço com perda de valuation ou condições mais duras impostas pelo investidor.


A lógica do investidor é previsibilidade, não perfeição

Investidores não esperam que a startup esteja “pronta”, mas exigem que ela esteja organizada. Previsibilidade jurídica é o que permite avaliar risco, projetar crescimento e decidir investir.

O jurídico não precisa ser pesado ou burocrático. Ele precisa ser inteligente, alinhado ao estágio da startup e preparado para escalar.


O papel do advogado antes da primeira rodada

Organizar uma startup antes da primeira rodada exige atuação jurídica estratégica, não reativa. O advogado especializado ajuda a:

  • estruturar sociedade e governança;

  • organizar contratos e IP;

  • preparar a empresa para due diligence;

  • evitar erros que afastam investidores.

O Chambarelli Advogados atua ao lado de startups desde a fase inicial, estruturando o negócio para crescer, captar investimento e escalar com segurança jurídica.


Conclusão

A primeira rodada não começa no pitch. Ela começa na organização jurídica da startup.

Quem se organiza antes negocia melhor, capta mais rápido e preserva valor. Quem improvisa juridicamente tende a perder tempo, oportunidades e controle.

No ecossistema de startups, organização é vantagem competitiva.

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