Para uma startup, a primeira rodada de investimento (seja Anjo, Pre-Seed ou Seed) é o momento em que a “arrumação da casa” jurídica deixa de ser opcional e passa a ser determinante para o sucesso do aporte. Investidores profissionais não buscam apenas uma boa ideia, mas uma estrutura que suporte o crescimento sem gerar passivos inesperados.
Abaixo, apresentamos o checklist jurídico essencial, estruturado para preparar sua startup para a Due Diligence e garantir que o Cap Table permaneça saudável.
A base da startup precisa ser sólida. Investidores evitam estruturas confusas ou informais.
Tipo Societário Adequado: No Brasil, a transição de MEI para LTDA (ou S/A) é quase sempre necessária. Verifique se o objeto social reflete a atividade real.
Acordo de Sócios: Fundamental para definir regras de saída, quóruns de decisão e resolução de conflitos.
Cláusulas de Vesting: Essencial para garantir que os fundadores e colaboradores-chave ganhem sua participação ao longo do tempo (evita o risco de um sócio sair no início levando 30% da empresa).
Mecanismos de Saída: Inclusão de cláusulas de Drag Along (direito de venda conjunta) e Tag Along (direito de acompanhamento de venda), que protegem tanto majoritários quanto minoritários.
O investidor analisará quem são os donos da empresa e quanto cada um detém.
Organização de Títulos: Listagem clara de quotas, opções de compra (ESOP) e notas conversíveis.
Limpeza de Equity: Evite o “Dead Equity” (participação relevante nas mãos de quem não agrega mais ao negócio).
Simulação de Diluição: Tenha clareza de quanto da empresa será entregue nesta rodada e como isso afetará o controle nas rodadas futuras (Series A, B, etc.).
Para muitas startups, o valor está no código, na marca ou na patente.
Cessão de Direitos de PI: Todos os fundadores, funcionários e prestadores de serviço (PJ) devem assinar contratos que cedam formalmente a propriedade intelectual desenvolvida para a empresa.
Registro de Marca: Comprovação de pedido ou registro da marca no INPI.
Software e Patentes: Proteção legal do código-fonte e tecnologias exclusivas.
Passivos nestas áreas são os que mais “assustam” investidores, pois podem corroer o aporte rapidamente.
Contratos de Trabalho: Regularização de prestadores de serviço para mitigar riscos de vínculo empregatício.
Certidões Negativas: Manter as CNDs (Federal, Estadual e Municipal) em dia.
Regime Tributário: Verificação se a startup está no regime mais eficiente (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Real) e se cumpre as obrigações acessórias.
Com a Lei Geral de Proteção de Dados, a conformidade é item de auditoria obrigatório.
Termos de Uso e Política de Privacidade: Devem ser específicos para o produto e estar atualizados.
Mapeamento de Dados: Documentação de como os dados de usuários são coletados, armazenados e tratados.
Estar pronto para o investimento significa que a sua startup não tem impedimentos legais que alterem o valuation ou travem a rodada durante a auditoria. A antecipação desses pontos reduz o tempo de negociação e aumenta a confiança do investidor.
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Guilherme Chambarelli
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