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Repasse de franquia: cuidados jurídicos que podem evitar um problema grande

27/03/2026

Guilherme Chambarelli

O erro começa achando que é só “passar o ponto”

O repasse de franquia costuma ser tratado como uma operação simples.

Alguém sai, alguém entra.

Assina um contrato, paga um valor, assume a operação.

Mas, juridicamente, não é isso que está acontecendo.

Não é apenas uma venda.

É uma transferência de operação, de risco, de contratos e, muitas vezes, de passivos.

E é exatamente por isso que o repasse de franquia é uma das operações que mais geram problema quando mal estruturadas.


O que realmente está sendo transferido

No repasse de franquia, não se transfere apenas um ponto comercial.

Transfere-se um conjunto complexo de elementos:

  • operação em funcionamento
  • marca (via franquia)
  • carteira de clientes
  • equipe
  • contratos
  • reputação
  • passivos

Ou seja, trata-se de cessão de fundo de comércio, e não apenas de um negócio isolado.

Esse ponto é essencial.

Porque quem assume não está começando do zero.

Está entrando em algo que já existe — com tudo que isso envolve.


O primeiro risco: assumir passivos sem perceber

Um dos pontos mais sensíveis é a assunção de dívidas.

É comum que o comprador assuma:

  • débitos com a franqueadora
  • fornecedores
  • despesas operacionais
  • obrigações contratuais

E, muitas vezes, isso acontece de forma ampla, vinculada à operação.

Como previsto em estruturas desse tipo, a assunção pode abranger todos os passivos relacionados ao negócio, inclusive aqueles já existentes .

O problema é que nem sempre esses passivos estão totalmente mapeados.

E o risco passa a ser do comprador.


O mito da transferência automática

Outro erro comum é achar que todos os contratos serão automaticamente transferidos.

Não são.

Contratos relevantes — como franquia e locação — dependem de anuência de terceiros.

Na prática:

  • a franqueadora pode não aprovar
  • o proprietário do imóvel pode recusar
  • fornecedores podem não aceitar a mudança

E mesmo assim, a operação continua válida entre as partes.

Ou seja, você assume o negócio sem necessariamente assumir formalmente os contratos.

E isso cria um cenário de risco relevante.


Operar antes de regularizar: risco invisível

É comum que o comprador comece a operar antes de regularizar tudo.

Na prática, ele já está conduzindo a empresa, mas:

  • contratos ainda estão no nome antigo
  • obrigações ainda recaem sobre terceiros
  • a estrutura ainda não foi formalizada

Isso gera um descompasso entre realidade e formalização.

E esse descompasso costuma gerar problema depois.


O “as is”: comprar como está

Outro ponto crítico é a cláusula de aquisição “no estado em que se encontra”.

Na prática, significa que o comprador:

  • teve acesso às informações
  • analisou a operação
  • assume o risco do negócio

Não há garantia de faturamento, continuidade ou rentabilidade.

Isso é comum e válido.

Mas exige atenção.

Porque, a partir daí, o risco não é compartilhado.

É integralmente assumido.


Transição: onde muitos problemas começam

A fase de transição costuma ser subestimada.

Mas é nela que surgem grande parte dos conflitos.

Questões como:

  • transferência de fornecedores
  • adaptação da equipe
  • continuidade da operação
  • acesso a sistemas e informações

precisam estar bem estruturadas.

Sem isso, o comprador assume um negócio que não consegue operar corretamente.


O risco da operação não estar no seu nome

Um ponto crítico é a obrigação de transferir a operação para um novo CNPJ.

Isso parece simples.

Mas envolve:

  • abertura de empresa
  • transferência contratual
  • ajustes operacionais
  • aprovação de terceiros

Enquanto isso não ocorre, existe um limbo jurídico.

A operação é sua.

Mas formalmente ainda não é.


O erro mais comum: olhar só o preço

Muitos repasses são analisados apenas pelo valor.

Quanto custa.

Qual o parcelamento.

Qual o retorno esperado.

Mas o preço é apenas uma parte da operação.

O risco está na estrutura.

Um negócio barato com passivo alto, contratos frágeis ou estrutura desorganizada pode sair muito caro.


O papel do jurídico no repasse de franquia

O advogado, nesse tipo de operação, não entra apenas para formalizar.

Ele precisa estruturar.

Isso envolve:

  • analisar passivos
  • mapear riscos
  • estruturar a assunção de obrigações
  • prever cenários de problema
  • alinhar a operação com a realidade jurídica

Sem isso, o contrato vira apenas um documento.

E não uma proteção.


Conclusão: repasse não é venda — é sucessão de risco

Repasse de franquia não é uma simples compra.

É uma entrada em uma operação existente.

E, com ela, vêm riscos, obrigações e responsabilidades.

Empresas que entendem isso estruturam a operação antes de assumir.

Empresas que ignoram isso descobrem depois.

E, normalmente, da forma mais cara.


Chambarelli Advogados

O Chambarelli Advogados atua na estruturação de operações empresariais complexas, incluindo repasse de franquias, com foco em segurança, previsibilidade e proteção real do negócio.

Mais do que formalizar, organizamos a operação para que ela funcione na prática.

Porque, no repasse, o que está em jogo não é só o negócio.

É o risco que vem com ele.

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